Ira

Noite após noite o sono parecia cada vez mais carregado. A cada novo amanhecer, sentia o corpo cansado o suficiente para tornar tarefas triviais muito desgastantes. Achou que a idade começava a o engolir como uma criança engole um fio de macarrão: rápida e emporcalhadamente. Não lembrava-se de sonhar ou ter pesadelos conturbados que justificassem a fadiga crescente. Ao que tudo indicava, seu inconsciente era pouco criativo e apreciava certa inatividade durante o sono. Para ele, o período entre dormir e acordar era um simples piscar de olhos, onde nada acontecia. Exceto, é claro, que ele nunca esteve tão enganado.

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Sonora

É, eu sei que você ouve essa música. O que não sei e sequer ouso a perguntar é quanto tempo você dedicou para apenas apreciar e deixar a melodia escorrer para dentro de seus ouvidos; se em algum momento pensou em atribuir um nome à canção sobre a qual seus pensamentos adormecem todas as noites. Não se preocupe, eu—mais do que qualquer outro—entendo. A noite recai sobre sua parte do mundo e sua cabeça recosta sobre um amontoado de pedras áridas e agudas, é só quando deixa de perceber que o sono lhe acolhe nos braços e te conforta com o esquecer do imediato. Mas de olhos abertos estamos protegidos da bruma do esquecimento. Então ouça…

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