Aquele lugar na minha mente


Estava claro lá fora e escuro aqui dentro.

Minha cabeça.

Como janelas escangalhadas, arrombadas de dentro para fora por momentos, estavam meus olhos fixados, viciados nas rachaduras do meu céu privado. Aqui dentro de meu quarto aonde reino jogado em meu leito desarrumado, assistindo aos pensamentos de todo um dia fugirem atordoados por entre e diante dos meus olhos.

Janelas. Eu sei.

Meu rosto suado e meu corpo doente, dopado de alguma substância inexistente, presente apenas no meu cérebro cansado. Perceba que eu perdi a conta, fiquei exausto muito antes de minha cabeça entender o fato que há muito se desfazia em meu teto rachado. Sim, não sei quantos momentos saíram–ou joguei para o alto? Mas sei, veja, que no meio dessa revolução algo parece não ter me escapado. Não um momento ou um ideal, mas um pensamento mau educado, que tirou tocado todo o resto daquilo que de mim permanecia são.

Você, pensamento, que por entre e diante dos meus olhos expulsou com um egoísmo danado tudo aquilo que em seu nome não havia ainda dispensado. Então, finalmente, cerrou meus olhos. Cessou minhas rimas. Me desarmou. E quando lá fora ficou escuro, aqui clareou, de pensamento tornou-se sonho, dormiu comigo e pela manhã me acordou e ocupou aquele lugar que você chama de meu.

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